Rotina, características dos olhos e disposição para usar óculos ajudam a definir qual lente considerar na cirurgia de catarata.
Com Dr. João Paulo Peloso Reis Passos, este conteúdo apresenta informações gerais sobre o tema, com foco em orientação educativa e preparação para uma conversa mais informada durante a avaliação oftalmológica.
Na cirurgia de catarata, o cristalino opaco é substituído por uma lente intraocular. A decisão não se resume a escolher um modelo “melhor”: envolve combinar o foco desejado com as necessidades visuais, as medidas e as condições de cada olho. Conversar sobre essas prioridades antes do procedimento ajuda a alinhar expectativas, inclusive sobre a possibilidade de continuar usando óculos.[1] [2]
O que muda entre os tipos de lente
A lente monofocal tem foco principal em uma distância. A equipe pode planejar esse foco para longe ou para perto; se a prioridade for enxergar melhor à distância, por exemplo, ainda podem ser necessários óculos para leitura ou outras tarefas próximas. Lentes tóricas podem ser consideradas quando há astigmatismo da córnea, mas não garantem a eliminação total do grau nem dispensam óculos em todas as situações.[1]
As lentes multifocais buscam oferecer visão útil em mais de uma distância e podem reduzir a dependência de óculos. Isso não significa independência garantida: a revisão Cochrane de 20 estudos encontrou possível redução do uso de óculos e melhora da visão de perto em comparação com lentes monofocais, mas também mais relatos de halos e ofuscamento. A certeza variou conforme o resultado, e a busca da revisão incluiu estudos publicados até junho de 2016; portanto, esses achados não predizem o resultado de uma pessoa nem abrangem necessariamente todos os modelos atuais.[2]
Quais perguntas ajudam na conversa
Vale pensar em quais tarefas ocupam mais o dia: dirigir, ler, trabalhar diante de telas, praticar atividades manuais ou alternar entre distâncias. Também importa decidir quanto a redução do uso de óculos pesa em relação à possibilidade de incômodos visuais. A avaliação considera medidas oculares e pode levar em conta outras condições dos olhos. Cirurgias refrativas anteriores, como LASIK ou PRK, também devem ser informadas, pois podem tornar mais difíceis os cálculos da lente.[1] [3]
Nenhuma preferência substitui a avaliação clínica: uma opção pode não ser adequada a todos, e até com implantes diferentes os óculos podem continuar necessários. Em vez de decidir apenas pelo nome ou por promessas, peça que expliquem o foco planejado, os benefícios esperados, os limites e as alternativas para o seu caso. Após a cirurgia, piora da visão, dor crescente ou vermelhidão devem ser comunicadas prontamente à equipe responsável.[3]
Perguntas frequentes
Existe uma lente intraocular melhor para todos?
Não. A escolha depende das medidas dos olhos, da rotina, das prioridades visuais e de outras condições oculares.
Lente multifocal garante independência dos óculos?
Não. Ela pode reduzir a dependência em algumas pessoas, mas não garante ausência de óculos e pode trazer halos ou ofuscamento.
Cirurgia refrativa anterior deve ser informada?
Sim. Procedimentos como LASIK ou PRK podem influenciar os cálculos utilizados na escolha da lente.
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Referências da minuta original
[1] What my choices are for vision and glasses after cataract surgery — https://www.royalfree.nhs.uk/patients-and-visitors/patient-information-leaflets/what-my-choices-are-for-vision-and-glasses-after-cataract-surgery
[2] Multifocal versus monofocal intraocular lenses for people having cataract surgery — https://www.cochrane.org/evidence/CD003169_multifocal-versus-monofocal-intraocular-lenses-people-having-cataract-surgery
[3] Cataract surgery — https://www.imperial.nhs.uk/our-services/ophthalmology/cataract-surgery





